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OreSuki – É tudo aquilo, como também não é

No início, OreSuki parecia algo realmente diferente do gênero de romances harém. No final, é; Mas são necessárias algumas ressalvas nessa afirmação.

Antes de começar este atual espaço na internet, eu escrevia no Tokyotopia, entre março e novembro de 2019. Era um blog se dedicava exclusivamente a tratar sobre anime e mangá e que, hoje, é uma seção dentro da NerdMachina. Em outubro, cheguei a escrever um artigo de primeiras impressões sobre OreSuki (Ore wo Suki nano wa Omae dake ka yo, algo como “Você é a única pessoa que gosta de mim?“), dizendo o quanto ele era interessante, como ele conseguia facilmente fugir do clichê e o quanto ele prendia a atenção do espectador. Pois bem. Ele acabou há alguns dias, e preciso atualizar toda essa lista de elogios com algumas críticas, num review final sobre a série.

Para quem não conhece, já aviso: ESTE TEXTO ESTÁ CHEIO DE SPOILERS. Mas, antes de ir embora, eu realmente recomendo este anime.

A sinopse deste anime é bem simples.

Jouro é um típico protagonista de anime harém, que tem uma horda de garotas, das mais diferentes origens e com os mais diferentes aspectos, interessadas nele. Certo? ERRADO. Tudo começa a sair de seu controle quando sua amiga de infância e a presidente do conselho estudantil lhe pedem ajuda para conseguir se aproximar de seu melhor “amigo”, Ooga (explico as aspas depois).

Nisso, ele releva quem realmente é: Um garoto manipulador e dissimulado, que apenas quer formar seu harém e ser um protagonista de anime harém, e fará jogos sentimentais com quem quer que seja, por isso. Mas ele não contava com a existência de Sumireko. Uma garota zero a esquerda, que esconde quem ela realmente é, mas sabe quem Jouro realmente é – e se apaixona por esta face real dele. É a ela que ele faz a pergunta que dá nome a série. E bem, se não fosse por estes dois, nem teríamos algo bom para falar aqui.

Digamos que, no final, não é tudo isso

OreSuki é bastante diferente dos outros animes, mas se perde por vários episódios. Enquanto vemos os jogos de controle da vida social de Jouro e Sumireko, acabamos imersos naquela história, e alguns podem até esquecer o que o anime apresentou como diferente, para destacar-se. Isso, porque o anime deixa de lado o seu principal tempero por alguns episódios, mergulhando o protagonista, e os espectadores menos atentos, numa estranha comédia de “romance-estudantil-harém” que é clichê no gênero.

Mas isso apenas parece, pois o anime volta a mostrar seu potencial nos últimos episódios. Voltam os joguinhos, volta o Jouro sendo Jouro, volta Sumireko sendo a Sumireko. Parece que a atividade que mais excita Sumireko é ver Jouro saindo se deu modus operandi e agindo como ele realmente é: Um alguém que definitivamente não é um protagonista desse tipo de história, dissimulado e, por vezes, impulsivo e burro.

Os personagens secundários, que vão aparecendo ao longo da trama, também não chamam a atenção. Principalmente a presidente do conselho estudantil, Sakura Akino, e a melhor amiga de infância de Jouro, a Aoi Hinata. Elas simplesmente mudaram de personalidade, ao final do primeiro arco da história. Uma desatenção, talvez? Aposto em estratégia do autor, mas que saiu pela culatra.

Um dos grandes triunfos da história foi o “melhor amigo” de Jouro, Ooga. Ele começa a história mostrando que não é tão amigo assim, e termina a história mostrando que definitivamente não são amigos. E Jouro, por alguma razão, aceita essa estranha forma das coisas acontecerem.

Há certos elementos na história quem não fazem sentido algum, como esta amizade, mas que continua por algum motivo que não tenho como explicar. (Talvez o autor tenha planos para além do que vemos!)

No fim, toda a saga de Jouro não termina nestes 12 episódios para a televisão. O último episódio termina em aberto, e já foi anunciado um episódio extra, que deverá encerrar a história no anime, que será lançado em algum momento entre julho e setembro de 2020. E que será devidamente comentado por aqui.

O que será que fará Jouro, a seguir?

Conclusões e nota

Apesar da incoerência de certos aspectos, e a inconsistência da trama, OreSuki apresentou-se como uma alternativa ao velho clichê do romance escolar. Algo digno, mas que mostrou-se como uma armadilha para si próprio.

7.5/10

Por Henrique Picanço

Estudante de jornalismo, apaixonado pela cultura geek há muito tempo. Comecei a gostar ainda na infância, dos super-heróis animados pela manhã. Na adolescência, me voltei para os animes e mangás e, recentemente, comecei a me interessar realmente por Marvel, DC, Star Wars e companhia bela.