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1984 – Sob o olhar sanguinário do Grande Irmão

O livro de George Orwell pode não ser novo, mas em 2020 ainda é uma forma válida de tentar entender certos conceitos que nos permeiam.

Eu não sou uma pessoa que lê muito. Deveria, é óbvio, pois me ajudaria muito a melhorar meu vocabulário, coisa e tal. Mas, simplesmente, não leio. Um dos poucos livros que li ao longo da minha vida, é também um dos mais marcantes para mim. E ele é 1984, muito além dos meus pesadelos mais pesados.

Neste livro, seguimos a história de Winston. Ele é um homem de classe média, filiado ao partido, para quem trabalha. Ele exerce uma posição no Ministério da Verdade, onde ele é incumbido de mudar a história de acordo com o que o partido desejar. Se antes havia um inimigo milenar, ele é responsável por editar os registros para que agora tenham um novo inimigo milenar, apagando todo e qualquer rastro do passado.

Suas vida, assim como a dos outros do proletário, são constantemente vigiados em casa por um aparelho chamado teletela. Semelhante a uma televisão com uma câmera que nunca pode ser desligada, e que tem por função vigiar a vida de quem vive em Oceania, uma das três grandes nações restantes, e com quem está em guerra com uma outra, que vira e mexe muda, mesmo que os registros não mostrem isso.

Neste mundo, ele tem que aprender a conter seus pensamentos, pois até isso pode ser considerado crime. Um dos grandes medos de quem vive lá, e que nos é dito durante o livro, é de cometer o crime de pensar em algo que o partido não gosta, enquanto dorme. Isso, enquanto há de adorar a figura do Grande Irmão. Um ser onipresente, que é a personificação do partido. Além de odiar o Goldberg, um inimigo do partido que nunca consegue se pego, mas que constantemente atenta contra o poder do partido.

Wiston: Que se exploda esse mundo

Apesar de tudo isso, Wiston ainda consegue não pensar como o partido quer. E, ao longo do livro, vemos uma tentativa de ter uma vida livre, junto a Julia, uma mulher que também tem o mesmo sentimento contra o partido e o Grande Irmão. Mesmo que isso tudo ainda aconteça sobre o território do partido.

Porém, vemos que ao mesmo tempo que ele é determinado, ele também é inocente o bastante para confiar em quem não deveria. Na sua sede de ódio de pelo partido, ele esquece que poderiam haver agentes duplos rondando tudo e todos.

E vemos como isso pode ser perigoso ao longo da história. Principalmente, próximo ao final do livro, onde ele consegue arrumar problemas com o partido. E quando somos apresentados a temida sala 101.

O final é desalentador

Mesmo que tudo o que ele faça seja pequeno e distante o bastante para conseguir se ver livre daquele mundo, a resposta que ele recebe é enérgica e extremamente pesada. Tudo o que lhe acontece na sala 101, um lugar onde inimigos do partido são levados para experimentarem alguns dos seus piores medos, é extremamente cruel.

Não vou revelar muita coisa, mas digamos que… Toda a vontade de Wiston em continuar vivo, de amar Julia e continuar contra o partido e o Grande Irmão… Lhe é tirado violentamente.


Este livro, o 1984 foi escrito em 1948, mas continua com vários de seus conceitos válidos, nos tempos atuais. Uma ótima forma de entender o mundo onde vivemos, mesmo que originalmente tenha sido concebido como uma crítica a regimes totalitários.

Por Henrique Picanço

Estudante de jornalismo, apaixonado pela cultura geek há muito tempo. Comecei a gostar ainda na infância, dos super-heróis animados pela manhã. Na adolescência, me voltei para os animes e mangás e, recentemente, comecei a me interessar realmente por Marvel, DC, Star Wars e companhia bela.