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Seis motivos para você usar Linux (ou não)

Usar o Linux pode ser muito interessante. Neste artigo, lhe mostro seis motivos para você experimentar o sistema do pinguim.

Eis o primeiro post do blog, na seção de tecnologia. Na montagem da NerdMachina, eu me prometi que iria voltar a escrever sobre tecnologia, que foi, no passado, um tema que eu muito cobri nos meus antigos sites, na época em que eu comecei a blogar de forma constante e com certa regularidade. Pois bem. Muito pensei em qual poderia ser o assunto deste primeiro post, mas uma mensagem no Twitter, enviada a mim pelo @Zetsubou_Ito, acabou me chamando a atenção. Ele queria uma lista de motivos para ele instalar Linux na máquina dele. Eu pensei “isso é fácil de fazer”! Então, meu caro, aqui vai a sua resposta: São seis motivos para instalar o Linux. Se são bons motivos, ou não, aí são outros quinhentos.

1. Aprendizado

Geralmente, quem faz esse tipo de lista, coloca o aprendizado como última opção. Eu, pelo contrário, considero a melhor coisa do Linux, para mim, hoje. O Linux vai acabar te forçando a não ficar na zona de conforto. E eu realmente não gosto disso.

Hoje, na minha máquina, eu uso dois sistemas operacionais: O Windows 10, instalei primeiro e ainda é meu sistema operacional para jogos, e o Ubuntu 18.04, atual versão com suporte de longo termo. Decidi usar esses dois sistemas, em meio a problemas com bluetooth. Primeiramente, minha placa-mãe não tem suporte a Bluetooth por padrão, então tive que lançar mão de adaptadores. Mas ele se comportou de formas completamente diferentes no Windows e no Linux.

Acabei encontrando vários bugs no Windows, o que me impossibilitou de usar o meu headset sem fios por algum tempo. Já no Linux, eu pude encontrar uma solução para o meu problema, depois de ir atrás de uma solução: Hoje, meu fone funciona melhor no Ubuntu do que no Windows, mesmo eu tendo também encontrado uma solução para o meu problema na plataforma da Microsoft.

Poder aprender qual foi o problema – e saber que posso resolvê-lo sem ter que esperar por um milagre – é algo que realmente me chama a atenção num sistema operacional. Por qual motivo esperar a solução cair do céu, ou de um update não-solicitado do Windows 10, se eu posso fazer por mim mesmo?

2. Segurança

Isso daqui é algo que alguns podem até ter argumentos contra, mas ainda é uma forte característica do Linux: É mais difícil infectar uma máquina que rode o sistema do pinguim. O que existe, de fato, são vulnerabilidades em softwares, assim como existiria em qualquer outro sistema. Se há um problema no Firefox do Windows, então ele também deverá existir no Linux e no MacOS, mas as formas de ser explorado podem mudar.

Uma das principais características que me deixa mais tranquilo, em relação a segurança do Linux, é a necessidade de uma senha de administrador, para instalação de programas ou manipular arquivos em pastas-chave do sistema. Para abrir um navegador, jogar algo, editar uma imagem, eu não preciso de senha. Agora, para instalar um programa novo, eu preciso digitar a minha senha de administrador. Isso pode parecer ruim, mas tenha em vista que a sua conta de usuário não é o administrador do sistema, torna quase impossível que você consiga fazer alguma coisa que infecte a máquina, corrompa o funcionamento do S.O., roube seus arquivos ou algo semelhante. Para ter-se uma ideia, no Windows, o seu usuário padrão é também administrador do sistema. É possível destruir o Windows somente apagando alguns arquivos e dando “sim”, sempre que solicitado.

Claro, segurança não termina nisso, há também a noção do usuário para não sair fazendo besteira no computador. Mas saber que há barreiras melhores que uma tela perguntando “sim” ou “não” me tranquiliza mais.

3. Distros

O Linux, há bem da verdade, não é um “sistema operacional”. Ele é o kernel. Como diz o site 4Linux: Linux se refere ao kernel. (…) Kernel é um conjunto de instruções que controla como será usado o processador, a memória, o disco e dispositivos periféricos. É o software presente em todo sistema operacional que dita como o computador deve funcionar.

Isso quer dizer que, por si só, Linux não conseguiria fazer muita coisa num computador. Ele então foi “juntado” ao já corrente projeto GNU – um conjunto de ferramentas compatíveis com UNIX, com a diferença de ser totalmente livre. Do Projeto Debian: O GNU Project desenvolveu um extenso conjunto de ferramentas de software livre para utilizar com Unix™ e sistemas operativos do tipo Unix tais como o Linux. Estas ferramentas permitem aos utilizadores executar tarefas que vão desde o mundano (como copiar ou remover ficheiros do sistema) ao arcano (como escrever e compilar programas ou editar de forma sofisticada numa variedade de formatos de documentos).

Então, o que conhecemos hoje é, na verdade, o GNU/Linux, o GNU com Kernel Linux. Nisso, nós já temos um sistema operacional, mas ainda faltam alguns aditivos. Como um terminal, uma interface gráfica, uma forma de manipular pacotes… E isso é chamado de distribuição ou, como é comumente referido na internet, distro. As distros são a parte final desse “empacotamento”, e geralmente é o software que chega a ser usado pelo público ou em meio empresarial.

Existem várias distros. Algumas são conhecidas por serem voltadas a quem quer instalar o mínimo de pacotes necessários, sem muitos bloatwares, como o Arch Linux. Já outras, são conhecidas por serem estáveis e com um bom ciclo de desenvolvimento, como o Debian. E a mais conhecida é uma derivação do Debian, o Ubuntu, que eu utilizo. Ela é famosa por ser a distro mais usada e atualmente é a minha preferida. Afinal, ela foi idealizada para ser instalada e já poder ser usada como sistema operacional final para um usuário doméstico. Claro, existem outras distros com filosofias semelhantes. Há também as empresariais, que vendem suporte ao sistema, com a RedHat Enterprise Linux, atualmente parte da IBM, além de outras pensadas para servidores, como o Azure Cloud, da… Microsoft?!

Sim. Até a Microsoft tem sua distro Linux, voltada para servidores. Mas isso não vêm ao caso, por enquanto.

4. Desktop Environments

Quando eu falei sobre Distros, eu citei que uma distro é a junção do GNU/Linux com outros elementos, como uma interface gráfica. Por padrão, GNU/Linux é uma tela preta esperando por comandos no teclado, muito parecido como o MS-DOS funcionava, nos idos dos anos 80. Para muitas aplicações, hoje em dia, isso é tudo o que realmente necessita-se para rodar, apesar desse modelo de uso ser mais comum em servidores. Mas, para usuários domésticos, uma interface gráfica não cairia mal. Por isso, existem várias opções à disposição.

No Ubuntu, usa-se o GNOME. Ela é uma interface criada pelo GNU Project, para ser utilizada em sistemas baseados em Unix. Eu, particularmente, gosto bastante. Existe, também, o KDE. Baseada uma linguagem chamada Qt, é conhecida por ter uma ampla gama de programas feitos para seguirem suas diretrizes de estilo, e também por ser uma interface muito bonita.

Interface GNOME do jeito como foi projetada pelo time de desenvolvimento original. Essa tela é levemente diferente da que se encontra no Ubuntu, por exemplo.

Há outras, como o XFCE, conhecida por ser rápida e amigável para computadores com pouco poder de processamento, a LXQt, um outro desktop environment para computadores antigos, mas que usa Qt para sua construção, dentre várias outras. Existem ainda as interfaces gráficas que não são, de fato, um DE: Costuma ser o caso dos window managers, como o i3 e o Awesome WM, que servem apenas para… Manejar janelas. Os programas que o compõe são os usuários que escolhem, mas costumam ser a escolha de usuários avançados que sabem exatamente o que instalar nas máquinas para ter controle total sobre o que é necessário ou não.

Dentro do ecossistema Ubuntu, há variações do sistema com diferentes interfaces gráficas. O Kubuntu traz o KDE ao invés do GNOME. Já o Xubuntu traz o XFCE como interface padrão.

5. Personalização

Uma das melhores partes desses desktop environments e window managers, são as formas de personalização que eles permitem. Dá para fazer de um tudo. Não sou muito chegado a personalização do desktop, fico no básico que é trocar o papel de parede. Mas sei que o Ubuntu, por si só, já traz personalizações ao GNOME. Ou seja, o GNOME usado no Ubuntu é diferente, visualmente, do GNOME que a equipe de desenvolvimento que o faz disponibiliza.

Mas não fica só nisso. Com um pouco de paciência para achar a resposta para a sua dúvida, é possível fazer com que o GNOME tenha uma aparência muito similar ao do Windows. No KDE, essa possibilidade é ainda mais forte, já que a sua interface é bem maleável e facilmente personalizável.

KDE em uma instalação do Arch Linux: Visual é bastante diferente da versão “padrão” de interface.

Existem formas, também, de tornar esses desktops mais semelhantes ao MacOS, da Apple. Desde algo que lembre o sistema da maçã até cópias visuais perfeitas. Eu realmente não gosto muito da ideia, mas reconheço o trabalho dos que fazem esse tipo de personalização.

Para quem se interessou, há no Reddit uma comunidade de pessoas que fazem essas personalizações profundas nos desktop environments e window managers. No /r/Unixporn você acaba encontrando umas modificações realmente impressionantes. Podem até te servir de inspiração, quando sua confiança em usar Linux estiver maior e estiver com vontade de experimentar algo diferente.

6. Liberdade de escolha

Assim como os desktop environments lhe permitem essa gama de escolhas, o sistema em si é uma liberdade. É possível usar o Linux, para sempre, sem nunca instalar uma única atualização. Claro, eu não recomendo, mas a possibilidade existe. Além disso, nenhuma instalação é instalada, há menos que você permita. E o sistema não costuma reiniciar, ao instalar uma instalação, na maioria dos casos. E, mesmo que o sistema precise de um reboot ao instalar atualizações, só o faz quando você quer.

Há também a liberdade de usar o Linux para a finalidade que quiser. Eu, por exemplo, o uso como sistema operacional de computador no meu PC, mas também uso o Ubuntu numa máquina virtual, para rodar este site que você está lendo. A única coisa que eu pago é ao serviço de hospedagem do site, já que o sistema operacional não demanda de licença para funcionar.

Linux também é amplamente usado para mais variadas finalidades. Ele é usado pelo NASA, em missões interplanetárias. A Curiosity Rover, atualmente explorando o solo marciano, é controlada por meio de Linux. A Caixa Econômica Federal costuma usar Linux em aplicações dentro de suas agências bancárias. Mas, o uso mais difundido do Linux, é em celulares. O Android é Linux. Uma versão modificada do kernel Linux, mas ainda é Linux.

Nem tudo são flores

De fato, estes seis motivos não são o suficiente para qualquer um largar o Windows, instalar Linux e ser feliz. O Linux têm o seus problemas. Não há tantos programas para o Linux, quando para o Windows (e não, 40 mil pacotes não quer dizer que há uma porrada de programas para Linux). Ainda não existem versões do pacote Adobe ou Microsoft Office para o Linux, apesar de haverem programas semelhantes já disponíveis, como o GIMP como substituto do Adobe Photoshop, DaVinci Resolve como uma alternativa ao Adobe Premiere e o LibreOffice como alternativa ao Microsoft Office.

Jogar no Linux também não é tarefa fácil. Apesar do recente e contínuo apoio da STEAM ao Linux, ao portar o seu launcher para o sistema livre e começar a distribuir o STEAM OS (baseado em Debian), não é o suficiente. Existem rumores de suporte da Epic Games Store ao Linux, o que seria fantástico, mas ainda dependerá dos desenvolvedores em portar os seus jogos para Linux ou não.

Em resumo

Eu resumo este texto da seguinte forma: Linux é muito bom. Para quem tem vontade de aprender, é uma ótima ferramenta. O sistema é estável e conta com programas que fazem as mesmas tarefas que seus pares em grandes plataformas. No futuro, eu espero, o Linux deverá ser um sistema operacional ainda mais difundido e usado por todos. Mas, por hora, é uma interessante alternativa ao Windows e ao MacOS que vale a pena experimentar.

Por Henrique Picanço

Estudante de jornalismo, apaixonado pela cultura geek há muito tempo. Comecei a gostar ainda na infância, dos super-heróis animados pela manhã. Na adolescência, me voltei para os animes e mangás e, recentemente, comecei a me interessar realmente por Marvel, DC, Star Wars e companhia bela.