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Black Clover – Shonen Jump ainda surpreende!

Depois de 120 episódios de Black Clover, eu estou anestesiado. Uma boa história, com personagens cativantes: A Shonen Jump não erra!

Eu posso dizer que ainda estou anestesiado com o episódio 120 de Black Clover, e já faz alguns dias desde que eu o vi. Ainda não consigo absorver todos os conflitos e informações que nos foram mostrados pelo anime ao longos destes dois anos de história televisionada. Deixa eu fazer um pequeno resumo sobre tudo o que foi possível ver nestes episódios, e comentar alguns pontos interessantes.

Sinopse

Somos apresentados a Yuno e Asta. Ambos órfãos, cresceram num orfanato num pequeno vilarejo de Hage, numa região conhecida como reino esquecido, dentro do território do Reino Clover. Eles tem a ambição de se tornarem o Rei Mago, autoridade máxima do país em questão de magia. Isso até aparenta ser uma tarefa que pode ser cumprida por Yuno, mas Asta tem um empecilho: Num mundo onde magia é tudo, ele nasceu sem o dom de poder usar magia. A sua salvação foi seu grimório com trevo de cinco folhas, que guarda estranhas surpresas sobre o seu passado, o seu uso e o que há nele.

Ao avançar da história, somos apresentados a um grupo terrorista chamado Olho do Sol da Meia-Noite, grandes protagonistas neste primeiro grande arco de história. Esse grupo, por alguma razão que nos é desconhecida, quer destruir, a todo custo, o Reino Clover, por conta de todo o mal que lhes fizeram no passado. Com o desenrolar da história, acabamos descobrindo o que exatamente é este grupo terrorista, e como a razão de sua existência é uma questão histórica – mas também descobrimos mais sobre os poderes de Yuno, que consegue ficar cada vez mais forte, e os de Asta, que começa a entender o grande poder contido no seu grimório.

Shonen Jump se repete a beça, né?

Ao assistir Black Clover, bem no seu início, me pareceu uma mistura de histórias que a Shonen Jump já contou antes. Principalmente Naruto e Bleach, se você começar a pensar em pontos em comum dentro dessas histórias. Isso não é exatamente algo ruim, todos os fãs de animes/mangás já devem estar familiarizados com a fórmula da Shonen Jump, onde o protagonista, aparentemente sem poderes ou com pouquíssimo controle sobre eles, começa a demonstrar muito poder e potencial para ser o ser mais forte do seu universo. Sua meta? Ser uma espécie de chefe de estado, geralmente.

Isso persistiu comigo durante alguns bons episódios. Nos dois ou três primeiros, eu só consegui pensar no quanto o Asta me parecia um Naruto ainda mais irritante quando criança. Aliás, parece ser parte da fórmula da Jump ter um protagonista extremamente imaturo e infantil no início, que vai evoluindo com o passar dos capítulos, até conseguir o objetivo que lhe parecia um sonho de criança.

Em 2017, quando o anime estreou, Asta foi duramente rejeitado. Não só por conta de ser um imaturo, mas por falar gritando o tempo todo. Isso afugentou muita gente. Por sorte, isso foi revisto, e apesar do personagem ainda ser bastante imaturo e burro, ele mantém-se com um nível de voz baixo. Em lutas, ele costuma voltar a gritar, mas aí eu já também não o culpo.

Os Touros Negros

Uma outra parte interessante do anime, foi dar tempo e trabalhar os personagens que geralmente cercam Asta. Todos eles ganharam, em algum momento, tempo de tela para seu desenvolvimento.

Acabamos descobrindo algo sobre o passado de cada um dos integrantes. De fato, a história possibilitou mostrar um pouco sobre cada um, mas reservou um espaço grande mesmo para Vanessa, uma bruxa que vive de langerie e bêbada na base.

Black Clover - Vanessa
Com desenvolvimento surpreendente, Vanessa vai de bêbada a uma bruxa poderosa!

Alguns, inclusive, ganharam sub-arcos dentro do arco principal. Foi o caso de Vanessa, uma bruxa que ganhou algo entorno de 10 episódios para desenvolver a sua própria história e fomentar um ponto de virada de Asta. Alguns dos momentos mais emocionantes do anime, até então.

Fillers? Nem tanto!

Black Clover tem uma vantagens sobre outras adaptações da Jump. Um dos principais assombros de fãs de animes intermináveis (aqueles que começam sem uma data para terminar, e ficam anos no ar) são os fillers. Histórias criadas especificamente para a adaptação na televisão, que não podem introduzir mudanças na história, pois aquele conteúdo não está na história original. Naruto sofreu muito com isso. E Black Clover, pelo menos até aqui, não teve grandes problemas.

Não que Black Clover não tenha fillers. Os que tiveram foram poucos: De 120 episódios, apenas 6 foram “inventados”. Isso fica realmente interessante, se pararmos para pensar que a adaptação de Black Clover é do estúdio Pierrot, que adaptou Naruto e suas continuações.

Isso não quer dizer que Black Clover se verá com poucos fillers para sempre. Alguns fãs da história, que acompanham o anime e o mangá, já apontaram que ao final do episódio 120, o anime chegou muito próximo do mangá.

Ou o anime pára por algum tempo, como aconteceu com Gintama (e o que seria realmente muito bom, para manter a qualidade), ou começar a apostar em grandes arcos de histórias inexistentes no mangá, o que seria um grande problema. Naruto se perdeu assim.

Pierrot tá fazendo certo?!

Como eu disse anteriormente, essa adaptação de Black Clover está sendo feita pelo estúdio Pierrot. Mesmo estúdio que fez de Naruto um mar de fillers. O mesmo que destruiu Tokyo Ghoul em sua segunda temporada. Isso poderia ser um sinal amarelo para quem gosta do anime, não?

Black Clover - Asta
Apesar de alguns problemas de animação em um episódio ou outro, a Pierrot consegue manter uma animação decente.

De fato, sim. Mas ainda não é o caso. O estúdio tem mantido uma qualidade de animação interessante, para um anime semanal no ar há dois anos. Claro, em alguns episódios, todo mundo vira garrancho e a animação decai bastante, mas isso geralmente precede um episódio com animação frenética, com uma luta extremamente detalhada e vibrante. Se a razão para uma animação ruim for essa, eu aceito numa boa.

Considerações e o que virá

Black Clover começou como um rip-off de outras obras da própria Shonen Jump, mas em pouco tempo demonstrou potencial para se tornar uma grande franquia dentro da revista, que ainda tem outro “grande novo” sucesso, que é Boku no Hero Academia, enquanto mantém extraindo até a última gota de Naruto, com Boruto, e Bleach que, mesmo com um final péssimo no mangá, já anunciou o retorno da série anime.

O primeiro arco de Black Clover foi intenso, mas me pareceu algo grande demais para um primeiro arco. Foi excêntrico, excitante, sufocante. O problema está em manter essa qualidade nos próximos grandes arcos, principalmente agora que estamos nas portas do arco dos Demônios.

Tenho boas esperanças.

Por Henrique Picanço

Estudante de jornalismo, apaixonado pela cultura geek há muito tempo. Comecei a gostar ainda na infância, dos super-heróis animados pela manhã. Na adolescência, me voltei para os animes e mangás e, recentemente, comecei a me interessar realmente por Marvel, DC, Star Wars e companhia bela.