A Vigilante do Amanhã – É bom, mas nem tanto

Muita expectativa tinha-se sobre o vindouro filme de Ghost in the Shell. Nele, veríamos Scarlett Johansson, interpretando… Motoko Kusanagi?!

O ano era 2017. Muita expectativa tinha-se sobre o vindouro filme de Ghost in the Shell. Nele, veríamos Scarlett Johansson, interpretando… Motoko Kusanagi?! Pois bem. Ela é e também não é a Motoko. Aliás, vários dos conceitos que vemos em outras obras da franquia não estão, ou foram modificadas, para este filme hollywoodiano.

Sinopse

A história é bem simples, no final. Temos Major, a “Motoko Kusanagi” deste filme, que está as voltas de memórias que ela não sabe da onde vieram. Enquanto isso, trabalha no Setor 9, uma unidade da polícia que luta contra o crime. Isso, até se deparar com uma ameaça conhecida como Kuze, uma máquina considerada terrorista.

Continuar a contar esta sinopse, seria dar muitos spoilers. Aliás, eu não os evitarei, já que seria difícil para mim, conseguir separar este filme do anime de 1995, meu primeiro contato com esta franquia. E também, meu único contato com o universo de GitS, até o momento. Focarei, então, nas semelhanças e diferenças que eu pude perceber, neste filme de 2017, em comparação com o filme de 1995.

É bem diferente

A começar, é nítido o fato de que eu não estou vendo algo que eu já tive contato. De certo, há muita coisa semelhante entre esta nova obra e o clássico, mas há uma grandes distanciação entre eles. Se no passado nós tínhamos uma obra sobre a Motoko Kusanagi, que sabe de suas origens, tentando descobrir o que ainda há de humano em si, enquanto luta contra o Mestre das Marionetes, que insiste que há algo além, com um roteiro cheio de pontas soltas para interpretação pessoal, ao mesmo tempo que o filme não perde tempo em explicar alguma coisa, aqui nós temos algo mais raso.

É a história de uma mulher que sabe que é uma humana com partes transplantadas, mas sem saber o que lhe acontecera antes. Isso, enquanto luta com um personagem que muito me lembrou o próprio Mestre das Marionetes, mas sem o glamour do personagem original. É um “personagem criado para o filme”, se podemos dizer assim.

Aliás, quase todos são originais. Incluindo a Major. Com o passar do filme, nós descobrimos que a Major foi criada com o cérebro de uma mulher asiática, chamada… Motoko Kusanagi. Aqui está a grande diferença do filme para a história original, e que de fato me decepcionou um bocado. Para quem viu o filme original, pode estranhar o fato de que a Major não se lembre do que ela era antes de se tornar o que é, e que esteja filosofando sobre a existência humana. Aceitar uma nova origem para personagem pode ser complicado, neste quesito.

Apesar de também diferente, caracterização de Batou ficou bastante semelhante ao original

O aspecto que cerca todo mundo ali, a cidade, também é bastante complicada. Não é difícil perceber que a Hong Kong deste filme é muito mais inspirada em Blade Runner, do que na própria Hong Kong do anime original. Saem as ruas desertas e sujas, e entram ruas coloridas e com propagandas gigantescas – e holográficas. Tudo, neste filme, parece fazer referência a elementos que outros filmes de sci-fi americanos já trouxeram.

Apesar disso tudo, eu acabo entendendo o motivo.

It’s just bussiness, pal!

Ghost in the Shell não é – e nunca foi – algo simples de ser compreendido. Aliás, lembro-me de tentar absorver toda a informação que eu vi na tela, ao assistir o filme de 1995 pela primeira vez. Faz sentido para um filme desses, que era mais filosofia do que ação. Mas os tempos são outros. Este, mais que uma obra cyberpunk, é um blockbuster. Sua função é fazer muito dinheiro nas bilheterias e produtos licenciados, ao mesmo tempo que pavimenta um caminho para continuações – e formar uma franquia. Colocar uma história tão densa quanto a do mangá, ainda mais vindo de um material-base que por si só é complicado de adaptar para qualquer outra mídia, seria um tiro no escuro. Ou, melhor dizendo, perder dinheiro.

Não que o filme trate seu espectador como um idiota. Mas ele suaviza vários aspectos, ao mesmo tempo que te mastiga vários dos conceitos originais. Uma escolha puramente mercadológica, mas que tornou o filme menor do que poderia ser.

Estranhamente, ainda é uma das melhores adaptações de mangá/anime para o cinema americano.

7/10

Por Henrique

Tudo começou a desmoronar quando, aos 15 anos, fui aconselhado a assistir "Death Note" na Netflix, recém-chegada ao Brasil na época. Desde então, venho manejando minha lista de waifus mês após mês.

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