Parasita – Quem se aproveita de quem?

A relação dos Kim e dos Park exacerbam grandes problemas sociais. Não só sobre a Coréia, mas todo o mundo. Essa pode ser a forma de seu sucesso.

A premiação do Oscar 2020 ocorrerá neste próximo Domingo. Assumo, queria ter feito uma programação especial para a ocasião, mas deixo tamanho esforço para 2021. Por enquanto, vou contando sobre o filme que mais me chamou a atenção na categoria de “Melhor Filme”. Aliás, muito mais que o meu querido Coringa: Parasita.

Sinopse

Este filme conta a história da família Kim. Pobres, vão levando a vida como conseguem, mesmo que “conseguir” seja apenas uma forma de dizer que vivem por meio de golpes. Por destino, eles acabam conseguindo empregos com a família Park. Mas como nada é tão simples, vamos descobrindo o que realmente acontece nesta relação.

É difícil falar de Parasita sem contar algum spoiler, então vou tentar não entregar o final do filme, mas não posso prometer que eu não irei contar algo.

A relação das famílias

O que me chamou a atenção foi a relação dos Kim com os Park. Se no começo do filme nós começamos vendo que os Kim são apenas aproveitadores que mentem para conseguir um pouco mais de dinheiro, no fim acabamos percebendo que eles podem até ser considerados “mocinhos”, dependendo da leitura que o espectador faz de suas ações. Do preconceito velado dos Park à pobres, ao total desinteresse dos Park pelas dores que os Kim passam, fica nítido que os mais ricos estão apenas usando os mais pobres para o seu bel-prazer.

É bem político

Isso pareceu muito político? Bem, é exatamente o que o filme quer trabalhar. A Coréia do Sul é conhecida por ser uma potência mundial, onde tudo funciona e todos estão bem, certo? Pois bem. Bong Joon-ho, o diretor e escritor do filme, trata de desconstruir essa visão. A Coréia tem pobreza – e muita. E assim como é discutido aqui no Brasil, ele acaba por mostrar a relação patrão-empregado em residências. Assumo que, ao assistir este filme, o brasileiro “Que Horas Ela Volta” sempre me ressoava, de alguma forma, mesmo que o filme nacional não trate de terminar a história de uma forma tão… Impactante.

De certa forma, Bong gosta bastante de contar histórias sobre classes sociais em conflito. Prova disso, é outro filme internacionalmente conhecido do diretor: Expresso do Amanhã. Neste outro, as classes sociais são postas em vagões de um trem num mundo em plena era do gelo, que nunca pode parar. Em comparação, neste filme de 2013, Bong coloca essa luta de uma forma mais clara. Em Parasita, torna-se uma crítica mais suave. Quem não compreender a luta, apenas verá uma história cheia de reviravoltas interessantes.

O “Parasita”

A discussão sobre o que é – e quem é – o “Parasita” do título, fica a critério do espectador. Podem ser os Kim, com suas condutas discutíveis para conseguir mais dinheiro, e seus planos para conseguir cargos dentro da casa. Ou podem ser os Park, com sua conduta vazia e a forma como eles não se importam com os mais pobres, mostrando até traços de um preconceito latente dentro daquela classe.

A resposta para isso nascerá na conclusão que você tira do filme. Assista-o. Vale a pena, pois é realmente uma grande obra do cinema sul-coreano.

Eu diria que, nesta história, os Park sempre foram os parasitas.

10/10


PS: Alguém esperava pelo que tinha atrás daquela estante no porão?

Por Henrique

Tudo começou a desmoronar quando, aos 15 anos, fui aconselhado a assistir "Death Note" na Netflix, recém-chegada ao Brasil na época. Desde então, venho manejando minha lista de waifus mês após mês.

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